The Project Gutenberg EBook of Jaime de Magalhes Lima, by Jos Agostinho

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Title: Jaime de Magalhes Lima

Author: Jos Agostinho

Release Date: January 3, 2009 [EBook #27689]

Language: Portuguese

Character set encoding: ISO-8859-1

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OS NOSSOS ESCRITORES

VI

JAIME DE MAGALHES LIMA

POR

JOS AGOSTINHO



CASA EDITORA
DE
ANTONIO FIGUEIRINHAS
1911

Deposito Geral:
LIVRARIA PORTUENSE, de Lopes & C. Suc.or
119, Rua do Almada, 123
PORTO




OS NOSSOS ESCRITORES

VI


Comp. e imp.--Typ. Universal
de Figueirinhas & C.
Rua das Oliveiras, 75--Porto




OS NOSSOS ESCRITORES

VI

JAIME DE MAGALHES LIMA

POR

JOS AGOSTINHO



CASA EDITORA
DE
ANTONIO FIGUEIRINHAS
1911

Deposito Geral:
LIVRARIA PORTUENSE, de Lopes & C. Suc.or
119, Rua do Almada, 123
PORTO




SUMARIO


Uma monstruosidade do Passado--A Meza Censria--Torquemada e Escobar--A
critica com o constitucionalismo--Como a Meza Censoria persiste--A
hypocrisia--Que critica a Republica recebe das mos da Monarquia--O que
ela , em geral--Como ha de haver Arte livre?--Como ha de haver
escritores e editores?--Os unicos trabalhadores livres--O faciosiamo na
politica e nas letras--Jos Caldas e Joaquim Costa--Emilio Littr e
Augusto Comte--Madame Comte e Clotilde de Vaux--Uma liberdade que a
Republica tem de conquistar--O heroismo portugus--Trabalhadores
independentes--Verdades sobre Garrett--Verdadeiros
livres-pensadores--Camilo, Inacio Pizarro, Pedro de Lima, Jorge Artur,
Hamilton, J. A. Vieira, S. Dias, A. da Costa, A. T. da Silva Leito e
Castro, P. da Cunha, J. de Lemos, A. da Conceio, Guilherme
d'Azevedo--Os Magalhes Lima--O dr. Sebastio de Magalhes Lima--Jaime
Lima e o seu refugio--A sua vida moral e mental--Ideias de Malebranche,
Pascal, Moutesquieu, Guyau, Amiel e Fouille--Constant Martha e Lucrecio
e Epicuro--Jesus-Cristo e Tolstoi--A Terra--Impopularidade
voluntaria--Heroismo perfeito--Filsofo na poesia, socilogo no romance,
pensador na crtica--_Apostolos da Terra_--Amostras de estilo--_Via
Redentora_--_Vozes do meu lar_--Um belo excerto--Eduardo
Schur--Defeitos--Melchior de Vog--O que seria desejavel na obra de J.
de M. Lima--O romancista--Superioridade notavel--Julio Dinis e Camilo--A
unica lei duravel da estetica positivista--Uma animao de
Lessing--Lessing e Winchelmann--A influencia de Plato e do pintor
Oeser--J. de M. Lima e Balzac, Victor Hugo, Flaubert e Tolstoi--Ea de
Queiroz e Julio Dinis--O romance _Na paz do Senhor_--Qualidades
excelentes--Nem Pangloss nem Baudelaire--Tipos verdadeiros--Os romances
_No Reino da Saudade_ e _Sonho de Perfeio_--Verdadeiros modelos--O
critico--_Menor e servo S. Francisco d'Assis_--Esquecimento das obras de
Prudenzano e Pardo Bazan--Guerra Junqueiro--Leonardo
Coimbra--Superioridade de J. M. de Lima--_Alexandre Herculano_ e _Jos
Estevo_--Nem Planche nem Sainte-Beuve--Balzac e Werdet--Alfredo de
Vigny--Jos Estevo, Danton, Robespierre, Lamartine e
Mirabeau--Fernandes Toms e A. Jos d'Almeida--A concluso dum belo
livro--Serenidade nos processos criticos--Porque destacamos a figura de
J. de Magalhes Lima.




Uma das monstruosidades do passado, e ainda com predominio no presente,
 a escravido da conciencia. Horror e vergonha da Humanidade, foi Meza
Censoria, depois de ser ctedra e pulpito, fogueira e ptro, frca e
antema.

Julgou sempre sem autoridade de jus, porque foi sempre verdugo. Nunca
pde ser lei pura, porque foi sempre suplicio e ignominia, patibulo.

Para cometer o seu crime com prestigio, com absolvio plena dos seus
rancores, abrigou-se em todos os refugios sagrados e vestiu todas as
tnicas luminosas: a tnica de Jesus-Cristo, a pretexta de Cato, o
manto de Scrates.

Tudo lhe serviu para armadura, escudo, aurola e mscara.

Entre ns, como em toda a Europa, esse monstro alapardou-se na rigids
da ortodoxia intolerante que apedrejou Fnelon, e mordeu o calcanhar
branco de S. Francisco d'Assis. Deu a Torquemada o bculo do pescador
Pedro e a Escobar o principado de S. Francisco Xavier. Ululou, queimou,
deturpou, assolou, enxertando a alma negra de Atila na haste aromal do
Evangelho, voz e guia da Humanidade em jornada.

Veio, entretanto, a Liberdade no constitucionalismo. Como vitoria?
Infelizmente mais como vingana do que como evoluo. As verdadeiras
vitorias no se vingam: destrem, mas construindo. A liberdade do
constitucionalismo foi principalmente represalia e assim a velha
intolerancia no se extinguiu: deslocou-se, dissimulada, cavilosa.

Extinguiram a Meza Censoria? Decerto, mas no se extinguiu o espirito do
faciosismo, meza censoria latente e multipla que perpetra os mesmos
crimes contra a liberdade do pensamento e do sentimento.

O regimen constitucional ops  intolerancia a intolerancia, ao odio o
odio, ao despotismo sanguinolento, odioso em suplicios fisicos, a
tirania da opinio preconceituosa sobre todo o trabalho mental.

E esta com um involucro repugnante: a hipocrisia. Todos so livres de
opinio! clamaram os caudilhos de Mousinho da Silveira. Entretanto, quem
ficva deveras livre era s a opinio dos dirigentes do regimen.

Divergir corajosamente dela era o escandalo. Se a obra inteltual no
ficava suprimida de direito, ficava-o de facto, to excomungada, to
deprimida, que ninguem a lia.

Esta tirania mental e moral criou entre ns a critica, como da Monarquia
a acaba de receber a joven Republica.

Os atuais governantes j a devem ter lobrigado no seu antro, onde
esperamos que a ho de sanear. Diz-se liberal e  absolutista. Diz-se
justiceira e  pessoalista e staria. Aprega independencia, e acarinha
apenas vaidades individuais. Guia-se pela influencia dos habilidosos e
audazes. Flagela os cabotinos e, afinal, para alcandorar muitos deles,
ou desdenha dos honestos, ou beneficia estes com eptetos de
misericordia, que so afrontas flagrantes, ignobeis.

No tem, no pde ter, meios termos: ou turibulo ou chicote. No arranca
das trevas um desconhecido de merito, mas arraza de lentejoilas muitos
nulos.

E, entretanto, todos se queixam de que a nossa literatura e a nossa arte
tombam em decadencia.

Mas, porque no, se Portugal se tem regido sempre pela peor tirania,
pela adulterao da Liberdade?

Como querem Arte livre sem critica livre? Como querem os escritores e os
editores que o publico leia, se os poucos no analfabetos do pas, em
vez de lrem _tudo para discutir tudo_, ainda tm diante dos olhos o seu
_Index_ conforme o partidarismo apaixonado que os domina?

Quem ha de trabalhar num _meio_ assim? O verdadeiro trabalhador? Mas
esse no procura nunca os criticos vulgares. Procur-los  confessar
baixeza,  ter at de oferecer deprimidamente jantares ou ceias, ou
joias, a troco de elogios,  renegar implicitamente toda a ciencia e
filosofia moderna, toda a razo e toda a f e sentimento;  aceitar um
qualquer partidarismo intolerante;  pr a Arte debaixo da tutela de
qualquer efemero fetiche;  condenar-se a ser escravo do erro, se ele
domina, ou da paixo se ela triunfa.

Ficam, pois, s vitoriosos e livres os maus trabalhadores, os que no
tm sinceridade, os que no tm principios.

Em vo a Ciencia e a Razo lhes dizem que a Republica, por exemplo, em
todas as suas demolies  compativel com todos os grandes principios,
at com os dum elevado espiritualismo; que se pde ser cristo e ser
democrata, obrigando o Estado a separar-se da Egreja dentro da justia
pura; clamando ao atual governo que no pre, que rga o verdadeiro
edificio da liberdade, que v, pouco a pouco, demolindo e construindo,
dando golpes energicos  Burguezia da agiotagem e erguendo os humildes,
o Povo, dentro da conciencia desoprimida.

Eles no ouvem, nem pdem ouvir, tanto na vida politica como na vida
artistica. Convm-lhes perturbar. Merece-lhes todo o apoio o Capitalismo
que exploram. O que os preocupa  vencer depressa. Nunca  um ideal,
porque este, quando sincero,  feito de toda a justia, dentro de toda a
austera tolerancia. O que os atrai  a popularidade e ela, embora mais
tarde por vezes de nada sirva, lisongeia agora o amor-proprio de quem
nem possue talento nem carter, de quem no  democrata se no para
poder ser plutocrata.

E estes sticos de hontem e acomodaticios de hoje  que fazem a Critica
contemporanea, raras vezes digna. Vemos que elogia ignobilmente, e
incondicionalmente, s o correligionario, s vses de ha minutos, ou s
o que  audaz no pedir, ou s o que  habil no grangeio de amizades
entre plumitivos, ou o que, algumas vezes, encontra a peso de oiro uma
trombeta passiva e estrepitosa a aturdir a opinio, os ingenuos, os
simples e, emfim, por contagio, os proprios cultos e inteligentes!

Onde est, pois, o lugar dos grandes e verdadeiros trabalhadores?

Raras vezes aparece. Para o corajoso e liberrimo cristianismo de Jos
Caldas lhe no negar a primasia de democrata, foi preciso que a
Republica tivesse dado o exemplo da sua gloriosa imparcialidade,
fazendo, do grande homem de letras, seu ministro em Roma. Assim, para
Joaquim Costa na Espanha, morrendo na velha f, ter a apoteose admiravel
que foi o seu enterro, justia triunfal a um lutador de sempre, foi
preciso que o partido republicano espanhol emudecesse os intolerantes
negros e escarlates com a luminosidade e generosidade da obra do
extinto, gloria peninsular e mundial.

Mas, que admira, se na Frana Emilio Littr deprimiu, no ha muitos
anos, a progresso moral de Augusto Comte, favorecendo com azedumes e
sofismas o odio estreito da Madama que nunca perdoou ao marido o
predominio espiritual e as graas angelicas de Clotilde de Vaux? No se
esqueceu ento Littr do valor mental de Comte s porque sups apostasia
staria o que era progresso psicolgica? Poderemos ns ser superiores
ao amado _figurino_?

Nada de estranhar , pois, que tenhamos ainda, no j oficial, mas
sempre prepotente, uma perfeita e absurda Meza Censoria.

D'a esta decadencia mental e moral, toda refltida na pequens da
Critica.


D'a um dos grandes problemas da liberdade a conquistar. Talvs a
Republica o venha a resolver lentamente, com profundas angustias
intimas, to crueis como as de tantos que, na melhor das intenes, para
no excitarem os dios dos cgos e dos furiosos, aparentam crer que a
politica pde impr a f ou o ceticismo religioso, a velha ciencia, ora
dogmatica ora metafisica no seu materialismo, ou a moderna,
essencialmente positivista, sim, mas porque no abre s os olhos da
Razo, e d emfim liberdade cientifica e pura aos do Corao.

      *      *      *      *      *

A boa alma portugusa, resplandesce de continuo em prodigios de
heroismo. E o heroismo em Portugal est em toda a parte.  condio
etnica.  atributo de povo celta, beijado de perto pelo mar profundo e
carinhoso.

Apezar de a nossa critica ter raras conciencias livres, houve sempre, e
ainda ha, trabalhadores inteltuais que sofrem pelo seu ideal sem
transigencia com o flagelo da impopularidade. Nem todos se bandeiam com
os favores da opinio desvairada. Nem todos procuram na politica, alm
dum talher, um carimbo com esplendor de cora. Ha ainda alguns que no
perdoam a Garrett elogiar-se a si proprio nas gazetas, e que, s porque
ele foi orador primoroso, homem do mundo, legislador feliz, no vo
negar que o _Arco de Santana_  mediocre, que as suas poesias liricas
nunca excedem as de Soares de Passos, Simes Dias e Joo de Deus, e que,
se no fra o seu destaque politico, a beleza lapidar do _Fr. Luis de
Sousa_, da _D. Branca_, das _Viagens_ e do _Cames_, no teria encantado
tanto aqules mesmos que no viram no feroz Padre Macedo, caceteiro
torvo de D. Miguel, o primeiro poeta didtico de Portugal e da
Peninsula.

Ha muitos ainda que no descem  construo astuta da sua imortalidade,
pondo-se  frente de todos os movimentos com probabilidades maiores de
vitoria, vestindo-se de apostolos e de lees, segundo o lance, ora
usando culos de profeta, ora vestindo mantos de senadores com um
rochedo de Patmos  mo direita.

Por Deus, que ainda ha, e haver sempre, em Portugal verdadeiros
livres-pensadores e por isso heroicos, sem reclamo na sua abnegao e
laboriosidade intrepida.

Anulam-nos? Respondem, trabalhando. Morrem ignorados na lia, ou
sistematicamente deslembrados? A sua agonia  um sorriso; a sua
resignao ilumina as geraes porvindoiras, e dessa luz vem a mais
tarde a justia inteira.

Assim sucedeu ao prprio Shakespeare, esquecido durante dois seculos.
Assim, entre ns, sucedeu ao cronista Brando que Alexandre Herculano
rehabilitou.

Assim foi visto, em plena gloria de Garrett, aquele alto poeta, que
Camilo festejou, Inacio Pizarro de Morais Sarmento, to companheiro no
olvido--sempre temporario dentro da justia dos povos--de Pedro de Lima,
de Jorge Artur, de Hamilton, de Jos Augusto Vieira, de Simes Dias, de
Antonio da Costa, de Antonio Tomaz da Silva Leito e Castro, de Pereira
da Cunha, de Joo de Lemos, de Alexandre da Conceio, de Guilherme de
Azevedo, e de tantos, por vezes suplantados por homens muito menores.

E, atualmente, no sabemos doutro mais elevado de intelto, mais
verdadeiramente pensador e artista, do que Jaime de Magalhes Lima.

Quem ?

Ninguem em Portugal desconhece os Magalhes Lima. Um velho austero e
popularissimo em Aveiro usou esse nome, legando-o a dois homens
singulares de meritos, a dois irmos: Sebastio e Jaime.

O primeiro entregou-se  onda do povo, dominando, arrastando por vezes
os espiritos com um verbo ora romantico, ora rigido, talvez intolerante,
mas talvez no intimo cortado de duvidas profundas. Expandiu-se
brilhantemente no jornal, no opusculo, algumas vezes no livro. Galgando
as fronteiras, bebeu no estranjeiro as sinteses mais sedutoras e novas,
propagou-as com valor, com f, com tenacidade, deu-se com elas todo 
politica, fez-se combate e a seguir meditao para voltar a ser luta,
ora quebrantada de melancolia, ora amargurada de decees.

 evidente que esse homem teve logicamente a popularidade que, afinal,
nunca mendigou. No a evitou, embora no a suplicando. No a desamou,
embora pedindo-lhe por vezes ou mais justia ou mais cordura.

Jaime ficou no seu lar e no seu jardim, ao p das suas flores e das suas
brumas. Como? Egoistamente? Fruindo a fortuna, o prestigio paterno, o
renome do irmo, o livre amor da Arte? Responde por ns Sebastio de
Magalhes Lima, numa tarde melancolica, nevoenta como uma utopia, dentro
do seu pequenino gabinete da _Vanguarda_:

--Quem me dera ter a elevao mental e moral de meu irmo Jaime!

Eis uma definio alta e independente, digna como a Justia sem mcula.

Jaime de Magalhes Lima refugiava-se: no fugia da luta. Do refugio, fez
o estudo; fez a conciencia. Leu ali tudo, ouviu todos, e depois ouviu-se
a si mesmo dentro de toda a liberdade. Tutela mental no a aceitou a
ninguem; se a procurou mais tarde, foi porque a encontrou no caminho
como voz de conciencia alheia que concorda com a nossa.

No se esqueceu da frase de Malebranche: Todos pretendem ter razo, ao
seguirem afinal as sugestes dos seus sentidos. Compreendeu cdo aqule
perigo que apontou Pascal no imperio do amor-proprio, imperio que
significa o maior dio  verdade, e viu, com o mesmo grande homem, que o
principio da moral  esforarmo-nos sempre por pensar bem.

Como literato, afs-se a ver a critica pelos canones suaves de
Montesquieu, mais tarde ampliados por Guyau e, entretanto, a sua alma
lavada avistava, e logo palpava, sem tortura, por livre intuio do
fundo da sua Arte, as verdades de Amiel quanto ao _ideal_ e ao _real_,
quanto ao cticismo, pai seguro da tirania, por mais que le prgue a
liberdade. Encontrou to luminosos limites  teoria da _superioridade da
o sobre o sonho_ do referido Guyau, valetudinario antes dos 30 nos,
e morto aos 34, todo impelido sempre mentalmente pelo espirito de
Fouille, como ensanchas generosas para a delicadeza de Constant Martha,
esse homem estranho que chegou a provar a religiosidade do poeta
Lucrecio e do proprio Epicuro.

Nesta liberdade s viu Jesus-Cristo no libertarismo genial de Tolstoi.
Compreendeu que, assim como a arte da Grecia  um alento na mais larga
vida da civilizao crist, assim a arte devida ao cristianismo palpita
na sociedade futura, trazendo j a vitoria do espiritualismo nas
lucubraes livremente experimentais da Ciencia.

Entretanto, o seu refugio no lhe fs esquecer a Terra, _meio_
indestrutivel das manifestaes da sua alma, e amou-a, e cantou-a, e no
lhe negou um culto sadio e amoravel.

Mas tudo isto no rogando favores do publico, nem os da bolsa nem os da
fama.

Resignando-se com a relativa impopularidade duma obra profunda,
independente de faciosismos, livre de conveniencias estreitas. No
procurando o plumitivo hiperblico, o correligionario maleavel, o
agitador apotetico, o reclmo do amigo, a furia do inimigo, o escandalo
do indiferente, nada do que atri atenes, do que provoca discusses,
do que escalda temperamentos.

Tudo isto como um regato no ruido dos passos, embora como um grande rio
no poder de corrente. Tudo isto duma maneira silenciosa, ainda que
penetrante, como os bons armas.

E, nisto, vindo as cs, e com elas a pureza maior, a elevao da
filosofia esoterica, a radiosidade da arte, a paz perfeita do corao, a
santidade e maior verdade da palavra, no veio a popularidade.

No admira. Ilogico seria o contrario. Tolstoi precisou de escandalizar
a Europa, embora involuntariamente, para se reconhecer como era um genio
moral e mental. Jaime de Magalhes Lima, avisado pelo exemplo do Mestre
do Caucaso, no pde ser precipitado na justia pelo escandalo
involuntario sequer. A sua modestia, verdadeira a ponto de ser
excessiva, at desse destaque o afasta. Facilmente se v quanto ha de
heroico na virtude perfeita, e o notavel escritor  dos poucos que ao
talento superior junta a virtude sincera.

      *      *      *      *      *

Jaime de Magalhes Lima, com aquelas barbas de neve, com o olhar plcido
e franco dum velho cristo, vegetariano, simples em todos os habitos, 
um poeta-filosofo, um romancista-sociologo e um critico-pensador.

Como poeta, no escolhe o verso: maneja com fulgor e nitidez uma prosa
opulenta e, ao mesmo tempo, substancial. A sua poesia  a sua f no
maior amor de todos. Combativa? Sempre, mas porque  inabalavelmente
tolerante. A combatividade raivosa denuncia ou doena da alma ou
enfermidade pessima do carter. Jaime de Magalhes Lima tem a saude
perfeita e tranquila no corpo e na conciencia.

Quais os seus pomas? Abramos um: _Apostolos da Terra_.  um rosario de
melodias doces e profundas  Natureza. Em cada melodia a emergencia duma
verdade, por vses to heroica que  a confisso duma culpa, s
insignificante aos olhos dos nulos. Mas isto numa enorme e solida
ciencia, como numa erudio rara. Isto, com um estilo original e
sincero, vernculo e vivo, como o atestam as seguintes rpidas amostras.

Na _Sede de Brancura_: Tem sde de brancura a nossa alma, de brancura
que corra como o sangue e seja casta como a madrugada.

A neve, o diamante, aguas e nuvens so brancas, mas debalde lhes pedimos
que palpitem e ministrem comunho na translucida essencia do seu brilho.

Desliga-as do bater dos coraes uma calma frieza sem piedade, como se
fssem estranhas ao seu ritmo, ou passassem de longe, ignorando a
constante agitao d'amor que os faz pulsar.

Na _Irm do Mar_: Misterio!...  bem salgado o mar e a seara  dce.
Encerra o trigo a esperana de crescer, o latejar do sangue e do calor
que alimenta a beleza a mais gracil e a conciencia austera e redentora
na profunda expresso do seu poder.  corrosivo o mar e, destruindo, nem
s pedras perda, desunindo a liga cristalina que se fs na pureza
sublimada d'altos fgos. E vivem ambos, a sera e o mar, na eterna
agitao do seu anceio!... Quem sabe?! Talvs sfram ou se exaltem no
delirio do mesmo amor, sagrado por destino de quem sem rro guia os ses
e o mundo no triunfo divino da Harmonia.

E o mesmo alto ideal, puro sentimento, e por vses estudo de rduos
problemas, nos outros pomas em prosa, _Via Redentora_ e _Vozes do meu
Lar_. No primeiro dstes, e tambem para exemplo do estilo do notavel
escritor, bastam estes periodos do belo canto que  _A Enxada_:

O cavador ergueu-a novamente. Rompe o sol; sobre os carvalhos loirejou
fulgores; dissipa a treva na montanha; beija certamente a lamina polida;
e a enxada, em sagrada ancia de triunfo, inunda o arvordo e a sera de
clares de estrla. Batisou-a o fogo no rubor da forja, e deu-lhe a
pureza, diamantina voz, para entoar os cantos da luz celeste.

No ha aqui tanta espiritualidade moderna e s como no melhor trabalho
de Eduardo Schur?

No  aqule estilo simples, limpido, espontaneo e, ao mesmo tempo,
magnifico de eufonia e graa?

Comtudo, ser o escritor sem defeitos? No, at porque, como 
logar-comum dizer, os tiveram Milton, Dante e Cames. Por vses, ha na
sua prosa poetica raptos que se esquecem demais de quem os pde ver.
Fgem demasiadamente do espirito dos mediocres, o que contradiz
involuntariamente, mas de facto, todo o seu generoso e completo amor aos
humildes. Neste ponto ha bastante da pecha principal de Melchior de
Vogue: aristocracia involuntaria dentro da elevao ardente duma Arte
que s pretende, afinal, fecundar a alma do Povo, porque at, no sendo
assim, seria descabida.

D'a, algumas obscuridades no estilo, raras, muito raras, dignas de
emenda, porm, e ainda o uso aqui e ali de epitetos eruditos, mas
gastos, crispados de sonoridade emfatica.

s vezes, um mal grave--a como que convio de que mais escreve para si
proprio do que para o seu tempo e para a sua gerao.

E porisso, apezar de frequentemente cristalino, limpido, adoravel de
verdade, de sentimento de vida, nestes pomas em prosa destam a espaos
requintes preciosos, s acessiveis alguns aos espiritos altos e muito
cultos. Este defeito no afta demais a obra no valor intrinseco:
priva-a de ser frutifera em toda a sua intensidade, o que  sempre
deploravel num _meio_ como o nosso, assim inculto, esteril, carecido de
verdadeiras obras.

A filosofia de Jaime de Magalhes Lima reclamaria trabalhos de muito
graduada perfeio plastica, a comearem quase sem estilo, como quem
palestra com crianas e simples. S assim este povo, to atrazado e
desorientado, mas to inteligente e bom, poderia, pouco a pouco,
perlibar o mel precioso, colher todo o dce impulso da verdade livre,
compreendendo e vivendo o que a m f certa de invejosos ou de starios
aponta com facilidade como arte egoista ou impenetravel, se no como
devaneio luntico.

J como romancista, o seu intento de dar o verdadeiro realismo lhe
inspira uma arte superior na comunicabilidade, uma frma sempre
transparente e, comtudo, original.

Os seus romances, depois dos de Julio Dins e alguns de Camilo, so os
mais perfeitamente portuguses da nossa literatura de ha 60 nos. No
so muito lidos. Nem por isso deixam de ser modelares.

Jaime de Magalhes Lima entendeu, como poucos, o romance moderno, sem as
taras do excessivo romantismo, ou do excessivo realismo, inverso
positiva do primeiro.

Espiritualista corajoso, muito superior, no desprezou a unica lei
duravel talvs da estetica positivista: A Arte deriva do sentimento e
idealisa a realidade.

A rigor, no poderia le dizer como Lessing: Se Deus tivesse a verdade
na sua mo direita e na esquerda o amor sempre inquieto da verdade, e me
dissesse:--Escolhe!--eu, ainda que me condenasse a enganar-me
eternamente, optaria pela esquerda. Pai--dir-lhe-ia eu--a verdade  s
para ti. No. Jaime de Magalhes Lima no tem a febre da verdade,
porque a encontrou plenamente, e disso est convencido. Outra febre
sagrada o empolga:  a de ensinar a verdade que professa, ensin-la na
doutrina e no exemplo.

Falamos em Lessing, e o nome deste ingente torturado traz  memoria o do
critico Winckelmann, seu colaborador radioso na purificao e dignidade
maior da critica alem.

 que um e outro foram dois excessos, dois exageros combatentes e por
certo Jaime de Magalhes Lima, que tanto preza Carlyle, se apaixonou,
conhecendo o primeiro, pela orientao alegorista do segundo, todo
embebido na alma angelica de Plato, mas tambem muito tolhido pela
estetica exangue do pintor Oeser. Porm,--di-lo a sua obra--soube achar
o meio termo, como, especialmente no romance, ps no seu logar Balzac e
Vitor Hugo, e saudou a magnificencia de Flaubert sem deixar de amar a
conciso espiritual de Tolstoi.

Tendo esta pujana moral e mental, no se iludiu com o cinismo brilhante
de Ea, ora acrata ora aristocrata, nem se algemou na idealizao, por
vses excessiva, de Julio Dins, embora este seja o nosso verdadeiro e
grande realista, o Maior dentro dos sentimentos nacionais.

A prova do que afirmamos assim est em qualquer dos romances de Jaime de
Magalhes Lima.

_Na Paz do Senhor._ A analise pde, a espaos, ter demasias, hoje
repelidas na morte plena do zolismo.

No demasias de crueza moral, mas de pormenores que j o Ea detestava
no fim da vida.

Mas  rigorosa, metdica, pura. O _meio_ emerge inteiro e real, nosso.
No  s o descritivo magistral e animado que o revela: so,
principalmente, os carateres e o enrdo.

O que no ha  o predominio pascvio dos timismos  Pangloss
(degenerao do romantismo), nem os pessimismos sdicos dos Gourmont
(realismo triunfante). O meio  _real_, tem asptos bons e maus, e a
moralidade, deixando os sermes, alis brilhantes, da _Cabana do Pai
Toms_, resulta lgica, sem vergonha de existir, sem medo de cair no
ridiculo.

Tipos verdadeiros, excelentes: o Valadares, to nosso, o Antonio
Carvalhaes--que a Republica vai ter pela pra nas proximas
Constituintes--o Monteiro, o Mirandinha, o Frederico e o Prospero, este
mais vulgar do que os criticos imaginam. Realidades puras: a D. Rosa, o
Carlos de Macedo, o Duarte de Melo e a mulher, a Isabel e o seu
Basilio--nada parecido com o lustroso mandrio do Ea. A abnegao do
Frederico, principalmente, soberba de verdade. No  um corruto, mas
tambem no  um santo. No  um genio, mas tambem no  um espirito
mediocre. O seu sacrificio tem a ndoa dum egoismo, mas  humano dentro
duma conciencia iluminada.

E no _Reino da Saudade_ e no _Sonho de Perfeio_, a mesma larga vida
conccional, o mesmo espirito de religiosidade crist, mas purissima,
caratres nitidos, descries primorosas, noo profunda da vida
agricola, da burguesia-esponja, do preconceito-plvo, da paixo-lcool.

Tudo assim, egual, perfeito, espontaneo, sem desmandos gritantes, sem
covardias morais, sem claudicancias do intelto. E eis o que sobeja para
dar ao nosso romance um rumo seguro e radioso que na Frana, apezar dos
romances-pomas e dos romances-sociais da escola hodierna,
espiritualista-positivista, ainda no foi traado com gesto definitivo.
Mas esse rumo, se o no querem ver, ha de impr-se. Se o rabe diz a
verdade, quando afirma _que os ces ladram, mas a caravana passa_, menos
se iludir quem vaticinar caminho seguro  caravana, s porque coaxam
algumas rs, chamando _desfastios_ aos _Contos do Natal_ de Candido de
Figueiredo, ou a qualquer deliciosa revelao da arte verdadeiramente
portugusa  qual Jaime de Magalhes Lima no d s muito trabalho, como
muito talento e muita conciencia.

      *      *      *      *      *

 lgico que mentalidade to robusta e sentimento to sincero dm um
critico notavel. Tal o  Jaime de Magalhes Lima no livro e no jornal, e
com o esplendor dum eminente e livre socilogo, dum democrata livre,
sincero, altissimo.

Neste ponto, a nosso ver, a sua obra-prima  aqule livro, cheio de
modestia e luz, d'amor e verdade, chamado _Servo e Menor S. Francisco
d'Assis_. Bem sabemos que o critico se inculca como simples decalcador
de Sabatier, como, de passagem, sabemos com estranheza que, lendo
Macdonell, Howel, Lechwer, etc., se esqueceu de Prudenzano e da amoravel
Pardo Bazan, nada despiciendos na psicologia admiravel do Patriarca mais
republicano da Egreja.

Mas, em toda essa obra sadia e profunda, o seu espirito clarividente,
por mais que o oculte, surde com evidencia gloriosa. A narrativa de
honesto bigrafo denuncia a vida filosfica de quem a faz, e essa  por
vses muito mais afim do espirito imaculado do Santo, modelo de
Democracia pura, do que o do proprio Sabatier, apezar de mentalidade
prodigiosa.

Admiradores conhecidos de S. Francisco d'Assis so Guerra Junqueiro e
todos os modernos poetas de alma. Um orador brilhante, coragem real no
nosso _meio_, Leonardo Coimbra, rasgada democracia numa conciencia
livre, ter dito, ou poder dizer-nos ainda, muito da elevao
cientifica que vive na espiritualidade do imortal revolucionario de
Assis. Nenhum, porm como Jaime de Magalhes Lima fs, do espirito do
Santo, o seu proprio espirito.

Nenhum, pois, quanto a ns, pde exceder o valor modelar da sua critica
em assunto que  todo da sua alma, na crena convicta, no anceio intimo,
no aperfeioamento progressivo da bondade, vida livre e fecunda da sua
inteligencia e do seu corao.

Estudando Alexandre Herculano e Jos Estevo, Jaime de Magalhes Lima
no pretende fazer estudos integrais. Colhe alguns asptos, para ele
predominantes, e, como _v_ sem preconceitos e tem uma linguagem nobre,
pura, original, deixa dois livros primorosos, perfeitos, completos.

No tem, no pde ter, a dureza rigida de Gustavo Planche. Este, como
dizia o justiador de Balzac, Edmundo Werdet, era--egoista, de corao
de ao, de torso do Antinous, de pernas de argila, implacavel com tudo
que no fosse obra sua, de estilo corrto, mas seco e frio.

Jaime de M. Lima  forte, mas tolerante, magestoso mas simples como os
patriarcas biblicos.

Ninguem pde tambem esperar dele a venalidade de Sainte-Beuve, o seu
espirito de intriga, capaz de felonias como a que perpetrou com o enorme
poeta Alfredo de Vigny, o pessimista dolorido.

A grande bondade de Jaime de M. Lima, genializada por uma intensa
paciencia, afastam-no da clera, e a sua desambio perfeita livra-o por
completo de transigencias com o logar-comum e com o estrondo stario.

Assim, Jos Estevo  por le rehabilitado contra os fanaticos de
qualquer campo.

No, o fogoso tribuno no foi Danton, vulco, impeto cgo, catapulta
muitas vezes salpicada de sangue.

No foi, porm, Robespierre, razo fria, espiritualismo e egoismo,
astucia e f em aliana assombrosa.

Com o vigor do primeiro, no teve a sua impudencia: com o bom-senso do
segundo, no teve a sua hipocrisia.

Foi muitas vezes Lamartine, at no pleno gosto artistico e no sonho, e
foi nos raptos bastante Mirabeau; um Mirabeau com a viso melhor da
moderna sociologia, e portanto sem a mascara disforme do
homem-tempestade.

No fundo, a sua eloquencia era toda de bondade, como a de Fernandes
Toms em 1820, como a de Antonio Jos de Almeida no nosso tempo.

Se trovejava, os seus raios eram farois, no eram agentes de cega ruina.

Parece esta a concluso sintetica do belo trabalho de J. de Magalhes
Lima sobre Jos Estevo.

A figura de Alexandre Herculano no a viu com a minucia, tantas vezes
arbitraria, de Taine; viu-a com a verdade ampla dum patriota e crente
que nunca esquece o que a patria e a f representam na grandeza da
Humanidade.

Assim, a concluso do seu trabalho sobre o maior e mais austero vulto do
nosso romantismo deriva sem esforo, luminosa na sua singeleza, das
belas paginas em que estudou o grande escritor e grande
cidado--_Alexandre Herculano_, diz, _a todos honrou igualmente,
engrandecendo-se e legando-nos um exemplo unico e supremo na historia do
povo portugus_.

Dizer isto, depois de o provar sem estridor como sem desfalecimento de
f, com vistas sempre originais e sinceras, num estilo belo, com
profundas noes cientificas em todos os asptos encarados, significa
uma obra primacial, uma obra de eleio, e, na essencia, uma completa
obra de propaganda da Verdade Maior.

No aparece o lenhador, e sim o semeador.

O machado e o bisturi trocam-se pela charrua paciente e pela luz do sol
sem nuvens.

O critico no  a torrente cataduposa:  o rio poderoso, mas placido,
que nunca reflete nas aguas pedao de co que no seja amorosamente
azul.

Mas, se o supondes lago aptico, enganais-vos: a sua serenidade  cheia
de vida, e tanto que as suas aguas, porque so perfeitamente puras, so
adoravelmente limpidas.

s vezes at, a profundidade da vida lhe d murmurios de oceano:  o
salmo intenso das crenas perfeitas.

 a Conciencia livre, a qual, por mais serena que se eleve, tem sempre
muito de Mar e como que de abismo.

Compreende-se talvs agora como  que este crente , afinal, um avanado
socialista, um ardente libertario.

Como seu irmo Sebastio, procura a Patria Nova. A diferena est apenas
nos caminhos.

Aqule quis ver primeiro em terra o Trono que machadou durante 30 nos.

Jaime nunca se preocupou com as velharias do Passado. Sem as ferir
diretamente, rasgou com coragem e f a verda do Futuro e, parecendo
conservador,  o mais avanado revolucionario.

Porisso a sua nobre tolerancia  o mais valente grito de guerra.

Quem assim  tolerante tem a certeza de que o Erro ci de per si 
simples apario de toda a Verdade.

      *      *      *      *      *

Jaime de Magalhes Lima  talvs assim, visto como que num simples
instantaneo.

Fotografado em todos os seus asptos, seria o mesmo que pedir para le
em vida uma estatua, mais justa do que a de alguns, nunca to livres de
conciencia e honestos de verdadeira arte como este escritor, que 
notavel por isso mesmo que muitos teimam em no o notar.

Nem o nosso carter nem o dle--e este muito menos--se comprazem com o
mais justificado fetichismo.

Para le, como para ns, a obra  valor da ideia e no do homem.

O espirito hoje perfeito foi imperfeito, evolute, e, resplandescente
agora, tem ainda sde de perfeio maior. No ha grandes nem pequenos,
se no de momento. O verme de hoje ha de ser colosso manh. O gigante
da atualidade foi ano nas trevas do passado.

Apontar Jaime de Magalhes Lima dentro da justia perfeita, no , pois,
elogiar o individuo:  apelar para um belo manancial de ideias e
sentimentos de amor e verdade.

Ha de um dia a literatura dar-lhe o lugar devido. Isso no nos preocupa.
O Futuro dignifica sempre o Passado. O que nos pde doer  que muitas
almas sequiosas desconheam to bela fonte de noes moraes e mentais e
se privem, por ingratido mesquinha do _meio_, do po artistico e
espiritual que uma obra to superior, como a de Jaime de M. Lima, lhes
pde ministrar com grandes frutos para a Democracia e para a Verdade.

Esse prejuizo causa horror.

Esto secas as fontes verdadeiramente cristalinas da nossa Arte. Em vs
delas, superabundam chafarizes exticos, canalisando e repuxando aguas
duvidosas.

Quem desconhece o intoxicamento moral que elas semeiam?

Quem no compreende que a nossa jven Republica precisa de as vedar em
beneficio da boa saude da querida Patria Portuguesa?




Livraria Portuense, de Lopes & C.--Successor

119, Rua do Almada, 123-PORTO


JOS AGOSTINHO

OS NOSSOS ESCRITORES:

      I--_Guerra Junqueiro_, 100
     II--_Teofilo Braga_, 100
    III--_Jos P. de Sampaio (Bruno)_, 100
     IV--_Jaime de Magalhes Lima_, 100

LUSIADAS, prefaciados, parafraseados, anotados, e com um vocabulario,
cada tomo ou canto, br. 150, enc. 250

LUSIADAS em 2 vol., br. 1$500, enc. 2$000

LUSIADAS em 1 grosso vol. os dez cantos, enc. 1$600

A MULHER EM PORTUGAL, br. 500, enc. 700

O HOMEM EM PORTUGAL, br. 600, enc. 800

O CAMINHO DAS LAGRIMAS (romance historico) br. 600, enc. 800

O PADRE ANTONIO (2. edio refundida) br. 400, enc. 600

POEMA DA PAZ, br. 400

MONSTRO, drama em verso, br. 400, enc. 600

DEFINIES--(verso), 200

As Noites do Avozinho--BELEZAS DA HISTORIA DE PORTUGAL, cada fasciculo,
broch. 100, enc. 250

FABULAS, (verso) br. 200, enc. 400

ALEXANDRE HERCULANO, br. 500, enc. 700

EA DE QUEIROZ (2. edio aumentada), br. 300, enc. 500


D. ANTONIO DA COSTA

HISTORIA DA INSTRUO POPULAR, 1 vol. br. 500 reis, e enc. 700

NO MINHO, 1 vol., br. 500 reis, enc. 700

TRES MUNDOS, br. 500 reis, enc. 700


ALVARO DE MAGALHES

O SECRETARIO, br. 500, enc. 700





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